{"id":159,"date":"2010-04-24T21:17:02","date_gmt":"2010-04-25T01:17:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/?p=159"},"modified":"2010-04-24T21:17:02","modified_gmt":"2010-04-25T01:17:02","slug":"burka-social-participe-deste-debate","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/burka-social-participe-deste-debate\/","title":{"rendered":"Burka Social &#8211; Participe deste Debate"},"content":{"rendered":"<p>Participa\u00e7\u00e3o das Mulheres na Constru\u00e7\u00e3o das Cidades*<\/p>\n<p>Falar sobre a participa\u00e7\u00e3o da mulher na constru\u00e7\u00e3o das cidades, sem passar<br \/>\npelo clamor da equidade social, \u00e9 uma tarefa muito dif\u00edcil por<br \/>\ndois motivos: o primeiro por ser a participa\u00e7\u00e3o feminina efetiva, mas com<br \/>\nreconhecimento quase sempre pouco enaltecido. O segundo por correr<br \/>\no risco de parecer feminista dos anos 70, o que n\u00e3o \u00e9 a proposta.<\/p>\n<p>Algumas dirigentes com quem tenho conversado vem reportando a ocorr\u00eancia de<br \/>\num fen\u00f4meno ap\u00f3s sua atua\u00e7\u00e3o &#8211; o fen\u00f4meno do apagamento.<br \/>\nE \u00e9 esse apagamento do sucesso feminino que motivou a palestra. O apagamento<br \/>\npode se dar de v\u00e1rias maneiras, mas destaco duas<br \/>\nprincipais para o segmento da arquitetura e urbanismo: aquele que impede a<br \/>\ndifus\u00e3o do trabalho intelectual das arquitetas e aquele que<br \/>\nsuprime sua participa\u00e7\u00e3o ou autoria. No caso do trabalho intelectual fica<br \/>\nevidente a quest\u00e3o de g\u00eanero.<br \/>\nNossas revistas e anu\u00e1rios, empresas construtoras e pr\u00eamios de arquitetura,<br \/>\nem sua maioria, pouqu\u00edssimo  dedicam-se aos trabalhos da<br \/>\narquitetas, apesar da m\u00e9dia nacional nos cursos de Arquitetura e Urbanismo<br \/>\nser de mais de 50% de contingente feminino nos \u00faltimos vinte<br \/>\nanos. Todas elas ser\u00e3o m\u00e3o-de-obra feminina que estar\u00e1 trabalhando no<br \/>\nmercado, embora alguns achem que far\u00e3o artesanato. E apesar disso<br \/>\ncontinuar\u00e3o transparentes?<\/p>\n<p>A II Confer\u00eancia do Conselho Nacional de Cultura, que aconteceu agora em<br \/>\nmar\u00e7o de 2010, n\u00e3o conseguiu romper a hegemonia do g\u00eanero que h\u00e1 na<br \/>\narquitetura. A primeira colocada para integrar a lista tr\u00edplice, mais votada<br \/>\nentre os delegados arquitetos\/as que estiveram em Bras\u00edlia,<br \/>\nn\u00e3o assumiu. Ela que seria a mais legitima representante dos arquitetos,<br \/>\nporque eleita entre seus pares.<br \/>\nHaviam duas esperan\u00e7as nessa Confer\u00eancia Nacional de Cultura: a primeira era<br \/>\nobter um compromisso de realiza\u00e7\u00e3o de concursos p\u00fablicos<br \/>\npara os projetos arquitet\u00f4nicos destinados \u00e0 cultura, e o segundo levar a<br \/>\narquitetura para o restante do Brasil, tendo uma arquiteta<br \/>\npela frente. A primeira virou proposta e certamente teremos com o tempo,<br \/>\nmaior inser\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia na contrata\u00e7\u00e3o de projetos<br \/>\np\u00fablicos. A segunda lamentavelmente, se desfez no preconceito e na falta de<br \/>\nequidade social.<br \/>\nEntendo que a lista tr\u00edplice \u00e9 uma prerrogativa do Ministro da Cultura, mas<br \/>\no bom senso recomendaria que se respeitasse as coloca\u00e7\u00f5es<br \/>\ndos candidatos, especialmente quando h\u00e1 muita diferen\u00e7a num\u00e9rica. Entretanto<br \/>\na primeira colocada n\u00e3o ascendeu ao cargo. N\u00e3o teremos uma<br \/>\narquiteta conselheira nacional no CNC.<\/p>\n<p>Lamentar? Sim, lamentar!<\/p>\n<p>Nunca tivemos uma presidente em 75 anos de CONFEA &#8211; Conselho Federal<br \/>\nde Engenharia, Arquitetura e Agronomia.<br \/>\nNunca tivemos uma presidente em 85 anos de IAB &#8211; Instituto de<br \/>\nArquitetos do Brasil.<br \/>\nS\u00f3 posso lamentar, mas n\u00e3o quero dizer \u00e0s minhas alunas que<br \/>\ncontinuar\u00e3o a se nutrir de ilus\u00f5es em nossas salas de aula, cheias de<br \/>\ngrandes projetos de arquitetos. Precisamos sim fazer esta hora chegar.<br \/>\nA quest\u00e3o da equidade de g\u00eanero na arquitetura \u00e9 algo pelo qual tem-se<br \/>\nmuito a trabalhar e por isso a trazemos a discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao apresentar alguns projetos importantes de refer\u00eancia internacional,<br \/>\ndestaquei aqueles cujo apagamento das arquitetas \u00e9 silencioso, apesar<br \/>\nde grande qualidade de seus trabalhos.<br \/>\nCom excec\u00e7\u00e3o de Zaha Hadid, nomes como Denise Scott Brown, Martha<br \/>\nSchawrtz, Barbara Kuit, Carmem Portinho (engenheira que em 1937 criou<br \/>\na Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenheiras e Arquitetas), Lina Bo Bardi,<br \/>\nRosa Grena Kliass, M\u00e1rcia Nogueira Batista (Jardim Zoobot\u00e2nico de<br \/>\nBras\u00edlia), Maria Elisa Baptista (criadora do Gentileza Urbana), entre<br \/>\noutras tantas arquitetas de import\u00e2ncia s\u00e3o pouco consagradas.<br \/>\nZaha Hadid tem sido muito lembrada pelos cal\u00e7ados que criou (Melissa).<br \/>\n Zaha \u00e9 iraniana e estudou em Londres, n\u00e3o usa burka, mas tem grande<br \/>\naten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia inglesa, n\u00e3o s\u00f3 pela grande compet\u00eancia projetual,<br \/>\nmas tamb\u00e9m simbolicamente, como efeito midi\u00e1tico para o mundo feminino<br \/>\nmu\u00e7ulmano.<\/p>\n<p>Um dos projetos discutidos, ligados a mulher, foi o projeto que<br \/>\nrecebeu men\u00e7\u00e3o honrosa pela qualidade arquitet\u00f4nica: a Universidade<br \/>\npara Mulheres Princesa Nora bint Abdulrahman, de Ryad na Ar\u00e1bia<br \/>\nSaudita, e muito emblem\u00e1tico para este tema.<br \/>\nA experi\u00eancia vivida como membro do j\u00fari da 8\u00ba Bienal Internacional de<br \/>\nArquitetura em 2009, foi rica e desafiadora, pois mesmo refletindo<br \/>\nsobre os avan\u00e7os e simbolismos da universidade\/cidade \u00e1rabe, para a<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o das mulheres nas ci\u00eancias humanas e na medicina, a proposta<br \/>\narquitet\u00f4nica e urban\u00edstica significava legitimar espa\u00e7os exclusivos<br \/>\npara abrigar 40000 mulheres, 10000 delas em regime de internato, sem<br \/>\nnenhuma intera\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Todas vestindo o chador. Confesso que<br \/>\nprecisei exercitar para conseguir ter isen\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica para olhar<br \/>\ntal arquitetura.<\/p>\n<p>E afinal o que se extraiu disso tudo?<\/p>\n<p>Que n\u00f3s daqui, mesmo que com um pouco mais de sucesso que muitas<br \/>\nbrasileiras por a\u00ed e mais liberdade que muitas de outras<br \/>\nnacionalidades,  ainda trajamos uma \u0093burka social\u0094 que precisa ser<br \/>\ndescartada de nossa cultura arquitet\u00f4nica e urban\u00edstica.<br \/>\nTexto enviado pela Arquiteta, *Barbara Irene  Wasinski Prado.<\/p>\n<p>Sammya Cury<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participa\u00e7\u00e3o das Mulheres na Constru\u00e7\u00e3o das Cidades* Falar sobre a participa\u00e7\u00e3o da mulher na constru\u00e7\u00e3o das cidades, sem passar pelo clamor da equidade social, \u00e9 uma tarefa muito dif\u00edcil por dois motivos: o primeiro por ser a participa\u00e7\u00e3o feminina efetiva, mas com reconhecimento quase sempre pouco enaltecido. O segundo por correr o risco de parecer feminista dos anos 70, o que n\u00e3o \u00e9 a proposta. Algumas dirigentes com quem tenho conversado vem reportando a ocorr\u00eancia de um fen\u00f4meno ap\u00f3s sua atua\u00e7\u00e3o &#8211; o fen\u00f4meno do apagamento. E \u00e9 esse apagamento do sucesso feminino que motivou a palestra. O apagamento pode se dar de v\u00e1rias maneiras, mas destaco duas principais para o segmento da arquitetura e urbanismo: aquele que impede a difus\u00e3o do trabalho intelectual das arquitetas e aquele que suprime sua participa\u00e7\u00e3o ou autoria. No caso do trabalho intelectual fica evidente a quest\u00e3o de g\u00eanero. Nossas revistas e anu\u00e1rios, empresas construtoras e pr\u00eamios de arquitetura, em sua maioria, pouqu\u00edssimo dedicam-se aos trabalhos da arquitetas, apesar da m\u00e9dia nacional nos cursos de Arquitetura e Urbanismo ser de mais de 50% de contingente feminino nos \u00faltimos vinte anos. Todas elas ser\u00e3o m\u00e3o-de-obra feminina que estar\u00e1 trabalhando no mercado, embora alguns achem que far\u00e3o artesanato. E apesar disso continuar\u00e3o transparentes? A II Confer\u00eancia do Conselho Nacional de Cultura, que aconteceu agora em mar\u00e7o de 2010, n\u00e3o conseguiu romper a hegemonia do g\u00eanero que h\u00e1 na arquitetura. A primeira colocada para integrar a lista tr\u00edplice, mais votada entre os delegados arquitetos\/as que estiveram em Bras\u00edlia, n\u00e3o assumiu. Ela que seria a mais legitima representante dos arquitetos, porque eleita entre seus pares. Haviam duas esperan\u00e7as nessa Confer\u00eancia Nacional de Cultura: a primeira era obter um compromisso de realiza\u00e7\u00e3o de concursos p\u00fablicos para os projetos arquitet\u00f4nicos destinados \u00e0 cultura, e o segundo levar a arquitetura para o restante do Brasil, tendo uma arquiteta pela frente. A primeira virou proposta e certamente teremos com o tempo, maior inser\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia na contrata\u00e7\u00e3o de projetos p\u00fablicos. A segunda lamentavelmente, se desfez no preconceito e na falta de equidade social. Entendo que a lista tr\u00edplice \u00e9 uma prerrogativa do Ministro da Cultura, mas o bom senso recomendaria que se respeitasse as coloca\u00e7\u00f5es dos candidatos, especialmente quando h\u00e1 muita diferen\u00e7a num\u00e9rica. Entretanto a primeira colocada n\u00e3o ascendeu ao cargo. N\u00e3o teremos uma arquiteta conselheira nacional no CNC. Lamentar? Sim, lamentar! Nunca tivemos uma presidente em 75 anos de CONFEA &#8211; Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Nunca tivemos uma presidente em 85 anos de IAB &#8211; Instituto de Arquitetos do Brasil. S\u00f3 posso lamentar, mas n\u00e3o quero dizer \u00e0s minhas alunas que continuar\u00e3o a se nutrir de ilus\u00f5es em nossas salas de aula, cheias de grandes projetos de arquitetos. Precisamos sim fazer esta hora chegar. A quest\u00e3o da equidade de g\u00eanero na arquitetura \u00e9 algo pelo qual tem-se muito a trabalhar e por isso a trazemos a discuss\u00e3o. Ao apresentar alguns projetos importantes de refer\u00eancia internacional, destaquei aqueles cujo apagamento das arquitetas \u00e9 silencioso, apesar de grande qualidade de seus trabalhos. Com excec\u00e7\u00e3o de Zaha Hadid, nomes como Denise Scott Brown, Martha Schawrtz, Barbara Kuit, Carmem Portinho (engenheira que em 1937 criou a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenheiras e Arquitetas), Lina Bo Bardi, Rosa Grena Kliass, M\u00e1rcia Nogueira Batista (Jardim Zoobot\u00e2nico de Bras\u00edlia), Maria Elisa Baptista (criadora do Gentileza Urbana), entre outras tantas arquitetas de import\u00e2ncia s\u00e3o pouco consagradas. Zaha Hadid tem sido muito lembrada pelos cal\u00e7ados que criou (Melissa). Zaha \u00e9 iraniana e estudou em Londres, n\u00e3o usa burka, mas tem grande aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia inglesa, n\u00e3o s\u00f3 pela grande compet\u00eancia projetual, mas tamb\u00e9m simbolicamente, como efeito midi\u00e1tico para o mundo feminino mu\u00e7ulmano. Um dos projetos discutidos, ligados a mulher, foi o projeto que recebeu men\u00e7\u00e3o honrosa pela qualidade arquitet\u00f4nica: a Universidade para Mulheres Princesa Nora bint Abdulrahman, de Ryad na Ar\u00e1bia Saudita, e muito emblem\u00e1tico para este tema. A experi\u00eancia vivida como membro do j\u00fari da 8\u00ba Bienal Internacional de Arquitetura em 2009, foi rica e desafiadora, pois mesmo refletindo sobre os avan\u00e7os e simbolismos da universidade\/cidade \u00e1rabe, para a educa\u00e7\u00e3o das mulheres nas ci\u00eancias humanas e na medicina, a proposta arquitet\u00f4nica e urban\u00edstica significava legitimar espa\u00e7os exclusivos para abrigar 40000 mulheres, 10000 delas em regime de internato, sem nenhuma intera\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Todas vestindo o chador. Confesso que precisei exercitar para conseguir ter isen\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica para olhar tal arquitetura. E afinal o que se extraiu disso tudo? 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