{"id":200,"date":"2010-05-10T22:13:16","date_gmt":"2010-05-11T02:13:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/?p=200"},"modified":"2010-05-10T22:13:16","modified_gmt":"2010-05-11T02:13:16","slug":"maes-e-filhos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/maes-e-filhos\/","title":{"rendered":"M\u00e3es e Filhos"},"content":{"rendered":"<p>Pela Internet recebi outro dia uma carta assim: <\/p>\n<p>&#8220;Sempre soube que ela era importante para mim. <\/p>\n<p>S\u00f3 n\u00e3o sabia o quanto ela era realmente valiosa e especial. <\/p>\n<p>Sempre imaginei que se um dia ela me faltasse, eu sentiria sua falta. <\/p>\n<p>Mas nunca calculei o que sua falta verdadeiramente representaria para mim. <\/p>\n<p>Sempre me disseram que amor de m\u00e3e \u00e9 algo diferente, sublime, quase divino. <\/p>\n<p>Sempre me disseram tantas coisas a respeito desse relacionamento: m\u00e3es e filhos. <\/p>\n<p>Tanto disseram, mas foi pouco o que eu ouvi e entendi sobre isso. <\/p>\n<p>Banalizei. <\/p>\n<p>N\u00e3o acreditei. <\/p>\n<p>At\u00e9 o dia em que ela se foi. <\/p>\n<p>Era uma tarde de final de primavera. <\/p>\n<p>O vento brando soprava e em minha casa n\u00e3o havia a mais leve suspeita da dor que se avizinhava. <\/p>\n<p>De repente, a not\u00edcia. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o poderia ser verdade. <\/p>\n<p>N\u00e3o, Deus n\u00e3o permitiria que as m\u00e3es morressem. <\/p>\n<p>N\u00e3o assim. <\/p>\n<p>N\u00e3o a minha. <\/p>\n<p>Engano meu. <\/p>\n<p>Era verdade. <\/p>\n<p>A verdade mais cruel e mais dura que meu cora\u00e7\u00e3o precisou encarar, enfrentar, suportar. <\/p>\n<p>Ela partiu sem me dizer adeus, sem me dar mais um abra\u00e7o, mais um beijo, sem me pegar no colo pela \u00faltima vez, sem me dizer como fazer para prosseguir s\u00f3, dali para frente &#8230; <\/p>\n<p>Simplesmente partiu. <\/p>\n<p>E uma ferida no meu peito se abriu. <\/p>\n<p>Ferida que n\u00e3o cicatriza, que n\u00e3o sara, que n\u00e3o passa. <\/p>\n<p>\u00c9 a falta que ela me faz. <\/p>\n<p>\u00c9 minha tristeza por querer seu aconchego mais uma vez, seu consolo, sua orienta\u00e7\u00e3o segura. <\/p>\n<p>Querer seu cafun\u00e9 antes do meu adormecer, sua voz antes do meu despertar. <\/p>\n<p>Sua presen\u00e7a silenciosa em meus momentos de ang\u00fastia, sua m\u00e3o amiga a me amparar e confortar. <\/p>\n<p>Querer outra vez ouvir seu sussurro baixinho me dizendo que tudo vai dar certo e que tudo vai acabar bem. <\/p>\n<p>\u00c9 uma saudade que aperta meu cora\u00e7\u00e3o e me faz derramar l\u00e1grimas \u00e0s escondidas. <\/p>\n<p>\u00c9 uma dor de arrependimento por todas as mal-cria\u00e7\u00f5es que fiz, pelas palavras atravessadas e rudes que lhe disse. <\/p>\n<p>Arrependimento porque agora sei que m\u00e3e \u00e9 mesmo algu\u00e9m muito especial e porque me dou conta de que os filhos s\u00f3 percebem isso muito tarde. <\/p>\n<p>Tarde demais, como eu.&#8221; <\/p>\n<p>A morte \u00e9 um afastamento tempor\u00e1rio entre os seres que habitam planos diversos da vida. <\/p>\n<p>Embora saibamos disso \u00e9 compreens\u00edvel a dor que atinge aqueles que se v\u00eaem afastados de seus amores pela ocorr\u00eancia da morte. <\/p>\n<p>Muitas vezes essa ang\u00fastia decorre do arrependimento pelas condutas equivocadas que os feriram, ou que n\u00e3o demonstrar o verdadeiro afeto que sent\u00edamos por aqueles que partiram. <\/p>\n<p>\u00c0s vezes s\u00e3o as m\u00e3es que partem, outras s\u00e3o os filhos, ou os pais, os amigos &#8230; <\/p>\n<p>E tantas coisas deixam de ser ditas, de ser feitas, de ser vividas &#8230; <\/p>\n<p>Pense nisso! <\/p>\n<p>A vida \u00e9 marcada por acontecimentos inesperados que a transformam, muitas vezes, de modo irrevers\u00edvel. <\/p>\n<p>Cuide de seus amores porque, embora eles sejam para sempre, poder\u00e3o n\u00e3o estar sempre ao seu lado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela Internet recebi outro dia uma carta assim: &#8220;Sempre soube que ela era importante para mim. S\u00f3 n\u00e3o sabia o quanto ela era realmente valiosa e especial. Sempre imaginei que se um dia ela me faltasse, eu sentiria sua falta. Mas nunca calculei o que sua falta verdadeiramente representaria para mim. Sempre me disseram que amor de m\u00e3e \u00e9 algo diferente, sublime, quase divino. Sempre me disseram tantas coisas a respeito desse relacionamento: m\u00e3es e filhos. Tanto disseram, mas foi pouco o que eu ouvi e entendi sobre isso. Banalizei. N\u00e3o acreditei. At\u00e9 o dia em que ela se foi. Era uma tarde de final de primavera. O vento brando soprava e em minha casa n\u00e3o havia a mais leve suspeita da dor que se avizinhava. De repente, a not\u00edcia. Mas n\u00e3o poderia ser verdade. N\u00e3o, Deus n\u00e3o permitiria que as m\u00e3es morressem. N\u00e3o assim. N\u00e3o a minha. Engano meu. Era verdade. A verdade mais cruel e mais dura que meu cora\u00e7\u00e3o precisou encarar, enfrentar, suportar. Ela partiu sem me dizer adeus, sem me dar mais um abra\u00e7o, mais um beijo, sem me pegar no colo pela \u00faltima vez, sem me dizer como fazer para prosseguir s\u00f3, dali para frente &#8230; Simplesmente partiu. E uma ferida no meu peito se abriu. Ferida que n\u00e3o cicatriza, que n\u00e3o sara, que n\u00e3o passa. \u00c9 a falta que ela me faz. \u00c9 minha tristeza por querer seu aconchego mais uma vez, seu consolo, sua orienta\u00e7\u00e3o segura. Querer seu cafun\u00e9 antes do meu adormecer, sua voz antes do meu despertar. Sua presen\u00e7a silenciosa em meus momentos de ang\u00fastia, sua m\u00e3o amiga a me amparar e confortar. Querer outra vez ouvir seu sussurro baixinho me dizendo que tudo vai dar certo e que tudo vai acabar bem. \u00c9 uma saudade que aperta meu cora\u00e7\u00e3o e me faz derramar l\u00e1grimas \u00e0s escondidas. \u00c9 uma dor de arrependimento por todas as mal-cria\u00e7\u00f5es que fiz, pelas palavras atravessadas e rudes que lhe disse. Arrependimento porque agora sei que m\u00e3e \u00e9 mesmo algu\u00e9m muito especial e porque me dou conta de que os filhos s\u00f3 percebem isso muito tarde. Tarde demais, como eu.&#8221; A morte \u00e9 um afastamento tempor\u00e1rio entre os seres que habitam planos diversos da vida. Embora saibamos disso \u00e9 compreens\u00edvel a dor que atinge aqueles que se v\u00eaem afastados de seus amores pela ocorr\u00eancia da morte. Muitas vezes essa ang\u00fastia decorre do arrependimento pelas condutas equivocadas que os feriram, ou que n\u00e3o demonstrar o verdadeiro afeto que sent\u00edamos por aqueles que partiram. \u00c0s vezes s\u00e3o as m\u00e3es que partem, outras s\u00e3o os filhos, ou os pais, os amigos &#8230; E tantas coisas deixam de ser ditas, de ser feitas, de ser vividas &#8230; Pense nisso! A vida \u00e9 marcada por acontecimentos inesperados que a transformam, muitas vezes, de modo irrevers\u00edvel. 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