{"id":309,"date":"2010-07-26T17:06:30","date_gmt":"2010-07-26T21:06:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/?p=309"},"modified":"2010-07-26T17:06:30","modified_gmt":"2010-07-26T21:06:30","slug":"visao-sindical","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/visao-sindical\/","title":{"rendered":"Vis\u00e3o Sindical"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Partidos perdem influ\u00eancia, ao contr\u00e1rio dos sindicatos&#8221;, diz Pochmann<\/p>\n<p>Depois da &#8220;desmoraliza\u00e7\u00e3o&#8221; pela qual passou o movimento sindical durante os anos 1990, os sindicalistas atravessam momento in\u00e9dito, porque se tornaram atores da pol\u00edtica. A an\u00e1lise \u00e9 de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), para quem o sindicalismo vai na contram\u00e3o do partidarismo. &#8220;Enquanto os partidos se enfraquecem, perdendo militantes e filiados, os sindicatos ganham car\u00e1ter nacional&#8221;.<\/p>\n<p>Professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Pochmann conversou com o Valor antes de embarcar a Venezuela, onde pretende inaugurar escrit\u00f3rio do Ipea.<\/p>\n<p>Valor: O que representou a Conclat original, de 1981?<\/p>\n<p>Marcio Pochmann: A Conclat original foi a marca da uni\u00e3o do movimento sindical na transi\u00e7\u00e3o da ditadura, ainda que, em seguida, a uni\u00e3o n\u00e3o tenha se realizado. A ideia de constituir uma central \u00fanica dos trabalhadores, a CUT, n\u00e3o se realizou.<\/p>\n<p>Valor: Como se comportou o movimento sindical de l\u00e1 para c\u00e1?<\/p>\n<p>Pochmann: Vivemos um per\u00edodo de auge, entre o fim dos anos 1970 e o fim dos anos 1980. Houve a ascens\u00e3o de um sindicalismo forte, quando a cada tr\u00eas trabalhadores, um era sindicalizado. A partir dos anos 1990, o movimento entra em decl\u00ednio, ingressando num per\u00edodo de baixo crescimento econ\u00f4mico, n\u00edveis elevados de desemprego e conjuntura desfavor\u00e1vel, que desmoralizava o sindicalismo. A partir da atual d\u00e9cada, no entanto, a sindicaliza\u00e7\u00e3o come\u00e7a a avan\u00e7ar no meio rural e tamb\u00e9m entre os jovens. A taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores est\u00e1 pr\u00f3xima de 20%, superior ao vale de 15% dos anos 1990, mas ainda abaixo dos 30% que alcan\u00e7amos na d\u00e9cada de 80.<\/p>\n<p>Valor: Houve mudan\u00e7a de perfil entre os sindicalistas?<\/p>\n<p>Pochmann: H\u00e1 uma caracter\u00edstica distinta sim. O sindicalismo hoje n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o assentado em greves, como era h\u00e1 20 ou 25 anos. Em 1989, chegamos a ter mais de quatro mil greves realizadas no Brasil. O sindicalismo hoje converge em grandes temas, como o fortalecimento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, do reajuste na tabela do Imposto de Renda, na atua\u00e7\u00e3o mais ativa na amplia\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios da Previd\u00eancia, o que aproximou os sindicatos dos aposentados.<\/p>\n<p>Valor: O presidente Lula foi sens\u00edvel aos sindicatos, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Pochmann: Do ponto de vista hist\u00f3rico, o presidente Lula fez mais pelos sindicatos quando presidente da Rep\u00fablica que como l\u00edder sindical. Os \u00faltimos seis anos foram de grande converg\u00eancia entre as c\u00fapulas do movimento sindical. O momento que o sindicalismo vive \u00e9 in\u00e9dito em per\u00edodo democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Valor: O fato de cinco das seis centrais que passaram a receber repasses do imposto sindical apoiarem o governo e sua candidata \u00e9 consequ\u00eancia?<\/p>\n<p>Pochmann: A capacidade de ades\u00e3o que o presidente Lula demonstrou na composi\u00e7\u00e3o de seu governo, sobretudo de segundo mandato, foi incr\u00edvel. A crise vivida pelo governo em 2005 deu uma nova orienta\u00e7\u00e3o, que passou a ter uma atua\u00e7\u00e3o mais compartilhada com os sindicatos, n\u00e3o de coopta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se tratava s\u00f3 de atender a pauta sindical, mas de abrir espa\u00e7o na constitui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Antes, no come\u00e7o do governo, Lula falava que &#8220;estava trabalhando por voc\u00eas&#8221;. Agora, os sindicatos se tornaram atores.<\/p>\n<p>Valor: O Estado mudou sua abordagem com os sindicalistas?<\/p>\n<p>Pochmann: Com certeza. N\u00e3o temos mais pol\u00edtica anti-trabalho, antissindicato, como tivemos na forma de encarar greves no setor p\u00fablico. O tratamento que o Estado deu \u00e0s greves nos Correios e na Petrobras, nos anos 1990, foram simb\u00f3licas sobre o papel que o Estado tinha. Agora n\u00e3o. Ao reconhecimento pol\u00edtico, que j\u00e1 existia, das centrais, se somou o reconhecimento institucional, na medida que as centrais recebem repasses de imposto p\u00fablico. O sindicalismo vai na contram\u00e3o do partidarismo.<\/p>\n<p>Valor: Como assim?<\/p>\n<p>Pochmann: H\u00e1 uma trajet\u00f3ria distinta quando se compara partidos e sindicatos. Os sindicatos ganham for\u00e7a e representa\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o est\u00e3o mais prisioneiros da disputa entre capital e trabalho, requisitando reajustes apenas. Os sindicatos e o sindicalismo, de maneira geral, ganha car\u00e1ter nacional. Enquanto isso, h\u00e1 um enfraquecimento dos partidos, que perdem militantes e filiados. (JV)<\/p>\n<p>De S\u00e3o Paulo<br \/>\n28\/05\/2010<\/p>\n<p>NOT\u00cdCIA COLHIDA NO S\u00cdTIO http:\/\/www.valoronline.com.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Partidos perdem influ\u00eancia, ao contr\u00e1rio dos sindicatos&#8221;, diz Pochmann Depois da &#8220;desmoraliza\u00e7\u00e3o&#8221; pela qual passou o movimento sindical durante os anos 1990, os sindicalistas atravessam momento in\u00e9dito, porque se tornaram atores da pol\u00edtica. A an\u00e1lise \u00e9 de Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), para quem o sindicalismo vai na contram\u00e3o do partidarismo. &#8220;Enquanto os partidos se enfraquecem, perdendo militantes e filiados, os sindicatos ganham car\u00e1ter nacional&#8221;. Professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Pochmann conversou com o Valor antes de embarcar a Venezuela, onde pretende inaugurar escrit\u00f3rio do Ipea. Valor: O que representou a Conclat original, de 1981? Marcio Pochmann: A Conclat original foi a marca da uni\u00e3o do movimento sindical na transi\u00e7\u00e3o da ditadura, ainda que, em seguida, a uni\u00e3o n\u00e3o tenha se realizado. A ideia de constituir uma central \u00fanica dos trabalhadores, a CUT, n\u00e3o se realizou. Valor: Como se comportou o movimento sindical de l\u00e1 para c\u00e1? Pochmann: Vivemos um per\u00edodo de auge, entre o fim dos anos 1970 e o fim dos anos 1980. Houve a ascens\u00e3o de um sindicalismo forte, quando a cada tr\u00eas trabalhadores, um era sindicalizado. A partir dos anos 1990, o movimento entra em decl\u00ednio, ingressando num per\u00edodo de baixo crescimento econ\u00f4mico, n\u00edveis elevados de desemprego e conjuntura desfavor\u00e1vel, que desmoralizava o sindicalismo. A partir da atual d\u00e9cada, no entanto, a sindicaliza\u00e7\u00e3o come\u00e7a a avan\u00e7ar no meio rural e tamb\u00e9m entre os jovens. A taxa de sindicaliza\u00e7\u00e3o entre os trabalhadores est\u00e1 pr\u00f3xima de 20%, superior ao vale de 15% dos anos 1990, mas ainda abaixo dos 30% que alcan\u00e7amos na d\u00e9cada de 80. Valor: Houve mudan\u00e7a de perfil entre os sindicalistas? Pochmann: H\u00e1 uma caracter\u00edstica distinta sim. O sindicalismo hoje n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o assentado em greves, como era h\u00e1 20 ou 25 anos. Em 1989, chegamos a ter mais de quatro mil greves realizadas no Brasil. O sindicalismo hoje converge em grandes temas, como o fortalecimento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, do reajuste na tabela do Imposto de Renda, na atua\u00e7\u00e3o mais ativa na amplia\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios da Previd\u00eancia, o que aproximou os sindicatos dos aposentados. Valor: O presidente Lula foi sens\u00edvel aos sindicatos, n\u00e3o? Pochmann: Do ponto de vista hist\u00f3rico, o presidente Lula fez mais pelos sindicatos quando presidente da Rep\u00fablica que como l\u00edder sindical. Os \u00faltimos seis anos foram de grande converg\u00eancia entre as c\u00fapulas do movimento sindical. O momento que o sindicalismo vive \u00e9 in\u00e9dito em per\u00edodo democr\u00e1tico. Valor: O fato de cinco das seis centrais que passaram a receber repasses do imposto sindical apoiarem o governo e sua candidata \u00e9 consequ\u00eancia? Pochmann: A capacidade de ades\u00e3o que o presidente Lula demonstrou na composi\u00e7\u00e3o de seu governo, sobretudo de segundo mandato, foi incr\u00edvel. A crise vivida pelo governo em 2005 deu uma nova orienta\u00e7\u00e3o, que passou a ter uma atua\u00e7\u00e3o mais compartilhada com os sindicatos, n\u00e3o de coopta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se tratava s\u00f3 de atender a pauta sindical, mas de abrir espa\u00e7o na constitui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Antes, no come\u00e7o do governo, Lula falava que &#8220;estava trabalhando por voc\u00eas&#8221;. Agora, os sindicatos se tornaram atores. Valor: O Estado mudou sua abordagem com os sindicalistas? Pochmann: Com certeza. N\u00e3o temos mais pol\u00edtica anti-trabalho, antissindicato, como tivemos na forma de encarar greves no setor p\u00fablico. O tratamento que o Estado deu \u00e0s greves nos Correios e na Petrobras, nos anos 1990, foram simb\u00f3licas sobre o papel que o Estado tinha. Agora n\u00e3o. Ao reconhecimento pol\u00edtico, que j\u00e1 existia, das centrais, se somou o reconhecimento institucional, na medida que as centrais recebem repasses de imposto p\u00fablico. O sindicalismo vai na contram\u00e3o do partidarismo. Valor: Como assim? Pochmann: H\u00e1 uma trajet\u00f3ria distinta quando se compara partidos e sindicatos. Os sindicatos ganham for\u00e7a e representa\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o est\u00e3o mais prisioneiros da disputa entre capital e trabalho, requisitando reajustes apenas. Os sindicatos e o sindicalismo, de maneira geral, ganha car\u00e1ter nacional. Enquanto isso, h\u00e1 um enfraquecimento dos partidos, que perdem militantes e filiados. (JV) De S\u00e3o Paulo 28\/05\/2010 NOT\u00cdCIA COLHIDA NO S\u00cdTIO http:\/\/www.valoronline.com.br.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[217],"class_list":["post-309","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-sindicatos"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}