{"id":357,"date":"2010-10-01T11:08:16","date_gmt":"2010-10-01T15:08:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/?p=357"},"modified":"2010-10-01T11:08:16","modified_gmt":"2010-10-01T15:08:16","slug":"sesi-sp-e-instituto-moreira-salles-abrem-exposicao-as-construcoes-de-brasilia-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/sesi-sp-e-instituto-moreira-salles-abrem-exposicao-as-construcoes-de-brasilia-2\/","title":{"rendered":"SESI-SP E INSTITUTO MOREIRA SALLES ABREM EXPOSI\u00c7\u00c3O AS CONSTRU\u00c7\u00d5ES DE BRAS\u00cdLIA"},"content":{"rendered":"<p>Entre 28 de setembro deste ano e 16 de janeiro de 2011, a Galeria de Arte do SESI-SP apresentar\u00e1 a exposi\u00e7\u00e3o As constru\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia. A mostra conta com 140 fotografias do acervo do Instituto Moreira Salles, al\u00e9m de uma sele\u00e7\u00e3o de cerca de 60 obras de linguagens variadas, de artistas modernos e contempor\u00e2neos, que abordam a imagem da capital federal. A exposi\u00e7\u00e3o, que tem entrada franca, \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o do Instituto Moreira Salles em parceria com o SESI-SP, e tem curadoria de Heloisa Espada, do IMS.<\/p>\n<p>A cole\u00e7\u00e3o conjuga conte\u00fados de interesse hist\u00f3rico, est\u00e9tico e cr\u00edtico. Organizada em dois n\u00facleos, apresenta algumas das mais importantes fotografias sobre a constru\u00e7\u00e3o e os primeiros anos da capital e, tamb\u00e9m, obras recentes que discutem os simbolismos de Bras\u00edlia e a condi\u00e7\u00e3o atual da arquitetura e do urbanismo contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>O primeiro n\u00facleo apresenta parte da valiosa cole\u00e7\u00e3o de fotografias de Marcel Gautherot, Peter Scheier e Thomaz Farkas, que hoje integram a cole\u00e7\u00e3o IMS, realizadas em Bras\u00edlia, sobretudo entre o final dos anos 1950 e o in\u00edcio da d\u00e9cada seguinte. Essa parte da mostra traz tamb\u00e9m obras gr\u00e1ficas e audiovisuais de Mary Vieira, Alo\u00edsio Magalh\u00e3es e Eugene Feldman sobre a edifica\u00e7\u00e3o e os primeiros anos da capital.<\/p>\n<p>No segundo n\u00facleo da exposi\u00e7\u00e3o, a imagem da capital aparece em trabalhos de linguagens variadas por meio de mapas, c\u00e9dulas de dinheiro, recortes de jornal, cartazes, cart\u00f5es-postais, v\u00eddeos e fotografias. S\u00e3o obras realizadas por artistas de diferentes gera\u00e7\u00f5es como Waldemar Cordeiro, Cildo Meireles, Almir Mavignier, Regina Silveira, Orlando Brito, Emmanuel Nassar, Robert Polidori, Jac Leirner, Rubens Mano, Mauro Restiffe e Caio Reisewitz.<\/p>\n<p>A obra dos fot\u00f3grafos do acervo IMS \u00e9 apresentada sob uma perspectiva hist\u00f3rica, com informa\u00e7\u00f5es sobre as circunst\u00e2ncias em que as imagens foram realizadas e sobre os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o em que foram divulgadas. Um dos destaques desse n\u00facleo s\u00e3o as fotos do franc\u00eas Marcel Gautherot sobre a constru\u00e7\u00e3o da capital, bem como imagens das principais obras arquitet\u00f4nicas de Oscar Niemeyer registradas no in\u00edcio dos anos 1960. Boa parte das obras de Gautherot vai al\u00e9m do registro t\u00e9cnico, mostrando um mundo novo, arejado e espa\u00e7oso, onde predomina a amplid\u00e3o e o vazio. Da produ\u00e7\u00e3o do alem\u00e3o Peter Scheier, que esteve na cidade em 1958 e 1960, a exposi\u00e7\u00e3o privilegia imagens do dia a dia dos primeiros habitantes de Bras\u00edlia: cenas do N\u00facleo Bandeirante, de pedestres nas \u00e1reas comerciais das superquadras e de crian\u00e7as indo \u00e0 escola. Mostra tamb\u00e9m fotografias de arquitetura de sua autoria que, diferente das de Gautherot, registram paisagens urbanas recortadas por vidra\u00e7as e venezianas, conferindo uma apar\u00eancia multifacetada para a capital. Thomaz Farkas fotografou tamb\u00e9m o N\u00facleo Bandeirante e as primeiras favelas em torno do Plano Piloto. Fez ainda um retrato \u00e9pico do dia da inaugura\u00e7\u00e3o, mostrando o presidente Juscelino Kubitschek sendo aclamado pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os trabalhos de Mary Vieira, Eugene Feldman e Alo\u00edsio Magalh\u00e3es reunidos nessa primeira parte da mostra revelam a constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da imagem de Bras\u00edlia como \u00edcone nacional. De Mary Vieira, \u00e9 mostrado o cartaz e o livro de artista brasilien baut brasilia, realizados em 1957 e 1959, respectivamente, que se referem \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do Brasil na exposi\u00e7\u00e3o Interbau, em Berlim, em 1957. A exposi\u00e7\u00e3o preparada por Mary Vieira apresentou pela primeira vez os projetos da nova capital do Brasil a um p\u00fablico europeu. De Alo\u00edsio Magalh\u00e3es e Eugene Feldman, \u00e9 mostrado o \u00e1lbum Doorway to Bras\u00edlia (1959), uma obra gr\u00e1fica experimental na qual os monumentos de Bras\u00edlia ganham uma fei\u00e7\u00e3o pop. Tamb\u00e9m s\u00e3o apresentadas nesse n\u00facleo cenas em 16 mm do canteiro de obras feitas pelo artista gr\u00e1fico norte-americano Eugene Feldman, em 1959. As imagens coloridas, que enfocam, sobretudo, a figura do candango, estabelecem um interessante contraponto \u00e0s fotografias de Gautherot, nas quais o destaque s\u00e3o as formas arquitet\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Os trabalhos reunidos no segundo n\u00facleo da exposi\u00e7\u00e3o As constru\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia, por um lado, discutem o status da cidade como emblema da na\u00e7\u00e3o e, por outro, provocam uma reflex\u00e3o sobre a condi\u00e7\u00e3o atual da arquitetura e do urbanismo modernos. De representa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds do futuro, a capital passa a ser vista como palco de crises econ\u00f4micas e pol\u00edticas. Sob certos \u00e2ngulos, ela perde sua dimens\u00e3o monumental, chegando a se confundir com outras cidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Waldemar Cordeiro, por exemplo, participa com a obra Liberdade (1964), uma esp\u00e9cie de maquete com formas fragmentadas que lembram os monumentos da pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes. O trabalho composto pela colagem de objetos, imagens de jornal e textos retalhados enunciam a desarticula\u00e7\u00e3o da proposta desenvolvimentista da era JK. Regina Silveira participa com a s\u00e9rie de cadernos de cart\u00f5es-postais intitulada Brazil Today (1977), obra que comenta o uso pol\u00edtico, durante o per\u00edodo militar, de imagens idealizadas de \u00edcones nacionais, tais como a paisagem do Rio de Janeiro, a rodovia Transamaz\u00f4nica e os monumentos de Bras\u00edlia. De Jac Leirner, s\u00e3o mostradas obras da s\u00e9rie Fase Azul realizadas nos anos 1990, cuja mat\u00e9ria-prima s\u00e3o notas de 100 cruzeiros e cruzados que circularam a partir de 1985, ilustradas com o rosto de Juscelino Kubistchek de um lado e um conjunto de monumentos da capital de outro.<\/p>\n<p>Os fot\u00f3grafos deste n\u00facleo mostram Bras\u00edlia sob um ponto de vista muito diferente daqueles registrados nos anos de sua constru\u00e7\u00e3o. Aqui, a alian\u00e7a entre arte e poder perde sua dimens\u00e3o ut\u00f3pica; a capital \u00e9 vista como um cen\u00e1rio pol\u00edtico disperso e carente de ideologias agregadoras. Ela \u00e9 mostrada, sobretudo, como um organismo vivo, em constante transforma\u00e7\u00e3o, muito al\u00e9m dos limites do Plano Piloto, repleta de ambiguidades e contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Caio Reisewitz enfoca a rela\u00e7\u00e3o entre est\u00e9tica e poder por meio de fotografias do pal\u00e1cio do Itamaraty. Mauro Restiffe mostra a s\u00e9rie Empossamento, com fotos realizadas durante a festa de posse do presidente Lula, em 2003, nas quais n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edticos em cena. O que se v\u00ea \u00e9 um ponto de vista distanciado de quem presencia a festa sem participar dela.<\/p>\n<p>A videoinstala\u00e7\u00e3o futuro do pret\u00e9rito (2010), de Rubens Mano, \u00e9 formada por dois pain\u00e9is, que mostram concomitantemente cenas do dia a dia no Plano Piloto e das cidades sat\u00e9lites de Bras\u00edlia. Na obra, concep\u00e7\u00f5es de futuro e passado, preserva\u00e7\u00e3o e abandono, planejamento e improviso, natureza e modernidade se confundem e se sobrep\u00f5em, fazendo com que, sob diversos \u00e2ngulos, a capital federal se pare\u00e7a com outras cidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Cat\u00e1logo: As constru\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Al\u00e9m de reunir as obras expostas na mostra, a publica\u00e7\u00e3o tem textos de Heloisa Espada, do cr\u00edtico de arte Lorenzo Mamm\u00ec, do coordenador de fotografia do Instituto Moreira Salles, Sergio Burgi e da historiadora Anat Falbel.<\/p>\n<p>As constru\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia<br \/>\n240 pp<br \/>\nISBN: 978-85-86707-52-0<br \/>\n23 x 30 cm<br \/>\nR$ 90,00<\/p>\n<p>SERVI\u00c7O:<br \/>\nExposi\u00e7\u00e3o As constru\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia<br \/>\nLocal: Galeria de Arte do SESI-SP \u2013 Av. Paulista, 1313 \u2013 metr\u00f4 Trianon-Masp<br \/>\nVernissage: dia 27\/09\/2010 (segunda-feira), \u00e0s 19h30 \u2013 apenas para convidados<br \/>\nDatas e hor\u00e1rios: de 28 de setembro de 2010 a 16 de janeiro de 2011 \u2013 \u00e0s segundas-feiras, das 11h \u00e0s 20h; de ter\u00e7a-feira a s\u00e1bado, das 10h \u00e0s 20h; e aos domingos, das 10h \u00e0s 19h.<br \/>\nInforma\u00e7\u00f5es: (11) 3146-7405 \/ 3146-7406 \/ www.sesisp.org.br\/centrocultural<br \/>\nEntrada: franca<br \/>\nRecomenda\u00e7\u00e3o et\u00e1ria: livre<br \/>\nAgendamento de grupos: (11) 3146-7396 \u2013 de segunda a sexta-feira, das 10h \u00e0s 13h e das 14h \u00e0s 17h.<a href=\"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/CONSTRU\u00c7\u00d5ES-DE-BRAS\u00cdLIA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/CONSTRU\u00c7\u00d5ES-DE-BRAS\u00cdLIA.jpg\" alt=\"\" title=\"CONSTRU\u00c7\u00d5ES DE BRAS\u00cdLIA\" width=\"800\" height=\"400\" class=\"aligncenter size-full wp-image-355\" srcset=\"http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/CONSTRU\u00c7\u00d5ES-DE-BRAS\u00cdLIA.jpg 800w, http:\/\/www.sammyacury.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/10\/CONSTRU\u00c7\u00d5ES-DE-BRAS\u00cdLIA-300x150.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 28 de setembro deste ano e 16 de janeiro de 2011, a Galeria de Arte do SESI-SP apresentar\u00e1 a exposi\u00e7\u00e3o As constru\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia. A mostra conta com 140 fotografias do acervo do Instituto Moreira Salles, al\u00e9m de uma sele\u00e7\u00e3o de cerca de 60 obras de linguagens variadas, de artistas modernos e contempor\u00e2neos, que abordam a imagem da capital federal. A exposi\u00e7\u00e3o, que tem entrada franca, \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o do Instituto Moreira Salles em parceria com o SESI-SP, e tem curadoria de Heloisa Espada, do IMS. A cole\u00e7\u00e3o conjuga conte\u00fados de interesse hist\u00f3rico, est\u00e9tico e cr\u00edtico. Organizada em dois n\u00facleos, apresenta algumas das mais importantes fotografias sobre a constru\u00e7\u00e3o e os primeiros anos da capital e, tamb\u00e9m, obras recentes que discutem os simbolismos de Bras\u00edlia e a condi\u00e7\u00e3o atual da arquitetura e do urbanismo contempor\u00e2neos. O primeiro n\u00facleo apresenta parte da valiosa cole\u00e7\u00e3o de fotografias de Marcel Gautherot, Peter Scheier e Thomaz Farkas, que hoje integram a cole\u00e7\u00e3o IMS, realizadas em Bras\u00edlia, sobretudo entre o final dos anos 1950 e o in\u00edcio da d\u00e9cada seguinte. Essa parte da mostra traz tamb\u00e9m obras gr\u00e1ficas e audiovisuais de Mary Vieira, Alo\u00edsio Magalh\u00e3es e Eugene Feldman sobre a edifica\u00e7\u00e3o e os primeiros anos da capital. No segundo n\u00facleo da exposi\u00e7\u00e3o, a imagem da capital aparece em trabalhos de linguagens variadas por meio de mapas, c\u00e9dulas de dinheiro, recortes de jornal, cartazes, cart\u00f5es-postais, v\u00eddeos e fotografias. S\u00e3o obras realizadas por artistas de diferentes gera\u00e7\u00f5es como Waldemar Cordeiro, Cildo Meireles, Almir Mavignier, Regina Silveira, Orlando Brito, Emmanuel Nassar, Robert Polidori, Jac Leirner, Rubens Mano, Mauro Restiffe e Caio Reisewitz. A obra dos fot\u00f3grafos do acervo IMS \u00e9 apresentada sob uma perspectiva hist\u00f3rica, com informa\u00e7\u00f5es sobre as circunst\u00e2ncias em que as imagens foram realizadas e sobre os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o em que foram divulgadas. Um dos destaques desse n\u00facleo s\u00e3o as fotos do franc\u00eas Marcel Gautherot sobre a constru\u00e7\u00e3o da capital, bem como imagens das principais obras arquitet\u00f4nicas de Oscar Niemeyer registradas no in\u00edcio dos anos 1960. Boa parte das obras de Gautherot vai al\u00e9m do registro t\u00e9cnico, mostrando um mundo novo, arejado e espa\u00e7oso, onde predomina a amplid\u00e3o e o vazio. Da produ\u00e7\u00e3o do alem\u00e3o Peter Scheier, que esteve na cidade em 1958 e 1960, a exposi\u00e7\u00e3o privilegia imagens do dia a dia dos primeiros habitantes de Bras\u00edlia: cenas do N\u00facleo Bandeirante, de pedestres nas \u00e1reas comerciais das superquadras e de crian\u00e7as indo \u00e0 escola. Mostra tamb\u00e9m fotografias de arquitetura de sua autoria que, diferente das de Gautherot, registram paisagens urbanas recortadas por vidra\u00e7as e venezianas, conferindo uma apar\u00eancia multifacetada para a capital. Thomaz Farkas fotografou tamb\u00e9m o N\u00facleo Bandeirante e as primeiras favelas em torno do Plano Piloto. Fez ainda um retrato \u00e9pico do dia da inaugura\u00e7\u00e3o, mostrando o presidente Juscelino Kubitschek sendo aclamado pela popula\u00e7\u00e3o. Os trabalhos de Mary Vieira, Eugene Feldman e Alo\u00edsio Magalh\u00e3es reunidos nessa primeira parte da mostra revelam a constru\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da imagem de Bras\u00edlia como \u00edcone nacional. De Mary Vieira, \u00e9 mostrado o cartaz e o livro de artista brasilien baut brasilia, realizados em 1957 e 1959, respectivamente, que se referem \u00e0 participa\u00e7\u00e3o do Brasil na exposi\u00e7\u00e3o Interbau, em Berlim, em 1957. 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Os trabalhos reunidos no segundo n\u00facleo da exposi\u00e7\u00e3o As constru\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia, por um lado, discutem o status da cidade como emblema da na\u00e7\u00e3o e, por outro, provocam uma reflex\u00e3o sobre a condi\u00e7\u00e3o atual da arquitetura e do urbanismo modernos. De representa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds do futuro, a capital passa a ser vista como palco de crises econ\u00f4micas e pol\u00edticas. Sob certos \u00e2ngulos, ela perde sua dimens\u00e3o monumental, chegando a se confundir com outras cidades do pa\u00eds. Waldemar Cordeiro, por exemplo, participa com a obra Liberdade (1964), uma esp\u00e9cie de maquete com formas fragmentadas que lembram os monumentos da pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes. O trabalho composto pela colagem de objetos, imagens de jornal e textos retalhados enunciam a desarticula\u00e7\u00e3o da proposta desenvolvimentista da era JK. Regina Silveira participa com a s\u00e9rie de cadernos de cart\u00f5es-postais intitulada Brazil Today (1977), obra que comenta o uso pol\u00edtico, durante o per\u00edodo militar, de imagens idealizadas de \u00edcones nacionais, tais como a paisagem do Rio de Janeiro, a rodovia Transamaz\u00f4nica e os monumentos de Bras\u00edlia. De Jac Leirner, s\u00e3o mostradas obras da s\u00e9rie Fase Azul realizadas nos anos 1990, cuja mat\u00e9ria-prima s\u00e3o notas de 100 cruzeiros e cruzados que circularam a partir de 1985, ilustradas com o rosto de Juscelino Kubistchek de um lado e um conjunto de monumentos da capital de outro. Os fot\u00f3grafos deste n\u00facleo mostram Bras\u00edlia sob um ponto de vista muito diferente daqueles registrados nos anos de sua constru\u00e7\u00e3o. Aqui, a alian\u00e7a entre arte e poder perde sua dimens\u00e3o ut\u00f3pica; a capital \u00e9 vista como um cen\u00e1rio pol\u00edtico disperso e carente de ideologias agregadoras. Ela \u00e9 mostrada, sobretudo, como um organismo vivo, em constante transforma\u00e7\u00e3o, muito al\u00e9m dos limites do Plano Piloto, repleta de ambiguidades e contradi\u00e7\u00f5es. Caio Reisewitz enfoca a rela\u00e7\u00e3o entre est\u00e9tica e poder por meio de fotografias do pal\u00e1cio do Itamaraty. Mauro Restiffe mostra a s\u00e9rie Empossamento, com fotos realizadas durante a festa de posse do presidente Lula, em 2003, nas quais n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edticos em cena. O que se v\u00ea \u00e9 um ponto de vista distanciado de quem presencia a festa sem participar dela. A videoinstala\u00e7\u00e3o futuro do pret\u00e9rito (2010), de Rubens Mano, \u00e9 formada por dois pain\u00e9is, que mostram concomitantemente cenas do dia a dia no Plano Piloto e das cidades sat\u00e9lites de Bras\u00edlia. 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